Trabalhadores utilizam EPI para aplicação de agrotóxicos durante a pulverização da lavoura (Créditos: Adriano Kirihara | Shutterstock)

EPI para aplicação de agrotóxicos: como usar e qual a importância?

EPI para aplicação de agrotóxicos: como usar e qual a importância?

O uso de EPI para aplicação de agrotóxicos é obrigatório e tem a finalidade de reduzir os riscos de contaminação do trabalhador rural que atua em contato com defensivos agrícolas.

Na prática, esse conjunto de equipamentos são itens indispensáveis para a segurança dos funcionários. A orientação e indicação correta para o uso desses acessórias pode ser encontrada no receituário agronômico e nos rótulos dos produtos químicos.

Neste artigo, vamos explicar o que é EPI para aplicação de agrotóxicos, sua importância e como fazer a limpeza e manutenção desses equipamentos.

Continue a leitura e tire todas as suas dúvidas!

O que é EPI para aplicação de agrotóxicos?

A sigla EPI significa Equipamento de Proteção Individual. Este equipamento possui componentes indispensáveis para proteger o corpo do trabalhador rural durante o transporte, armazenamento, preparo e aplicação de agrotóxicos.

Entre os principais itens que compõem o EPI para aplicação de agrotóxicos, estão:

  • Vestimentas;
  • Luvas;
  • Respiradores;
  • Viseira facial;
  • Óculos de proteção;
  • Touca árabe;
  • Avental;
  • Botas.

Quais são os EPIs necessários para aplicação de agrotóxicos?

Em síntese, para cada atividade que envolve o uso de agrotóxico, é necessário utilizar um EPI específico, conforme indica a bula dos defensivos agrícolas.

Trecho de bula do agrotóxico Assertive que especifica o EPI exigido para a aplicação do produto (Créditos: Agrobiológica)
Trecho de bula do agrotóxico Assertive que especifica o EPI exigido para a aplicação do produto (Créditos: Agrobiológica)

Sendo assim, no momento de escolher e adquirir o EPI, deve-se observar as características que determinam sua eficiência e performance.

Nesse caso, as recomendações sobre qual EPI utilizar devem ser consultadas no receituário agronômico e nos rótulos dos produtos.

Vestimentas

As vestimentas — ou seja, calça, jaleco e touca/capuz — devem ser confeccionadas em algodão ou tecidos mistos e receber tratamento hidrorrepelente. Este procedimento ajuda a evitar o molhamento e a passagem do produto tóxico para o interior da roupa sem impedir a troca térmica, tornando o equipamento seguro e confortável.

Ademais, também existem calças que possuem um reforço adicional nas pernas para serem usadas nas aplicações com alta exposição do aplicador à calda do produto ou desgaste mecânico como, por exemplo, no caso de pulverização com equipamento manual.

Em resumo, o modelo e material da vestimenta vai depender da intensidade de exposição na qual o aplicador irá trabalhar:

Aplicação de baixa a média exposição (quando ao longo do trabalho a vestimenta não apresentar áreas de molhamento):

  • Proteção de Nível 2. O aplicador deverá utilizar vestimenta sem reforços e sem partes impermeáveis.

Aplicação de média a alta exposição (quando ao longo do trabalho a vestimenta apresentar áreas de molhamento):

  • Proteção de Nível 2. O aplicador deverá utilizar vestimenta com reforços e partes impermeáveis nas áreas de maior molhamento.

Aplicação de alta exposição (quando ao longo do trabalho a vestimenta molha por completo):

  • Proteção de Nível 3. O aplicador deverá utilizar vestimenta impermeável.

Ambas as vestimentas de proteção de nível 2 e 3 deverão estar de acordo com a norma ABNT NBR ISO 27065.

Luvas

As luvas são responsáveis por proteger as mãos, uma das partes do corpo com maior risco de exposição. Existem vários tipos de luvas no mercado e a escolha deve levar em conta o tipo de formulação do produto a ser manuseado.

Isso significa que produtos que contém solventes orgânicos, como os concentrados emulsionáveis, devem ser manipulados com luvas de borracha nitrílica ou de neoprene, que são materiais resistentes a qualquer tipo de formulação.

Já as luvas de látex ou de PVC podem ser utilizadas em produtos sólidos ou formulações que não contenham solventes orgânicos.

Homem vestido com EPI para aplicação de agrotóxicos (Créditos: David Moreno Hernandez | Shutterstock)
Homem vestido com EPI para aplicação de agrotóxicos (Créditos: David Moreno Hernandez | Shutterstock)

Respiradores

Os respiradores (ou máscaras) são utilizados para evitar a inalação de vapores orgânicos, névoas ou finas partículas tóxicas.

Na prática, existem dois tipos de respiradores:

  • Descartáveis: possuem vida útil relativamente curta, sem manutenção e recebem a sigla de Peça Facial Filtrante (PFF);
  • Duráveis: possui baixa manutenção e contém filtros especiais para reposição.

Em geral, os mais utilizados são os de filtros P1, indicados para a proteção de poeiras e névoas, ou P2, que protegem contra partículas finas, névoas tóxicas, fumos ou agentes biológicos. Assim, quando há o manuseio de produtos que emitem vapores orgânicos ou cheiro forte, recomenda-se o uso de respiradores com filtro de carvão ativado.

Viseira facial ou óculos de proteção

A viseira facial e os óculos de proteção protegem os olhos e o rosto contra respingos durante o manuseio e aplicação.

Esses equipamentos devem ter a maior transparência possível para não distorcer as imagens e, muito menos, embaçar com facilidade.

Logo, é fundamental que eles proporcionem conforto ao usuário e permitam o uso simultâneo do respirador quando for necessário.

Vale destacar que quando não houver a presença ou emissão de vapores, o uso da viseira com touca árabe pode dispensar o uso do respirador, aumentando o conforto do trabalhador.

Existem algumas recomendações de uso de óculos de segurança para proteção dos olhos na bula dos produtos. No entanto, a viseira mostra-se mais segura e eficiente, pois protege não somente os olhos, mas também o rosto do aplicador.

Touca árabe

A touca árabe é confeccionada com tecido de algodão ou misto com tratamento hidrorrepelente. Na prática, essa vestimenta serve para proteger a cabeça e o pescoço contra a névoa da pulverização. Por ser usada em conjunto com a viseira, oferece proteção dérmica e ocular.

Avental

O avental é produzido com material resistente e impermeável (PVC, Bagum ou emborrachados) para proteger o aplicador contra respingos de produtos concentrados durante a preparação da calda.

Além disso, pode ser utilizado como capa, caso ocorra um vazamento do equipamento de aplicação costal. Entre os principais tipos de avental temos: curtos, longos, de colheita, etc.

Para escolher o avental adequado, é preciso considerar as necessidades específicas. A legislação determina que os aventais tenham um número de Certificado de Aprovação (CA) próprio, que demonstra uma proteção a mais para o aplicador.

Botas

Em síntese, a função das botas é proteger os pés. Portanto elas devem ser, preferencialmente, de cano alto, impermeáveis e resistentes aos solventes orgânicos.

As botas de PVC, por exemplo, são uma das opções disponíveis no mercado que cumprem com esses requisitos e podem ser utilizadas na aplicação de agrotóxicos.

Embora tenha várias cores disponíveis, as botas brancas são as mais indicadas, por absorverem menos calor.

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Por que o uso do EPI é obrigatório para aplicação de agrotóxicos?

Sabemos que os agrotóxicos podem causar intoxicação. Por isso, o uso do EPI é uma forma de reduzir a exposição do trabalhador aos produtos químicos e aumentar a segurança durante o manuseio.

Afinal, sabemos que a exposição e uso inadequado dos agrotóxicos pode comprometer a saúde humana. Sendo que, em casos mais graves, a intoxicação por agrotóxico pode levar a pessoa à morte.

Diante disso, o uso de EPI é obrigatório na aplicação de agrotóxicos porque essa atividade agrícola pode representar um risco para a segurança e saúde do trabalhador rural.

Portanto, a recomendação desse equipamento deve estar expressa no receituário agronômico, conforme estabelece o Decreto nº 4.074/2002, que determina no artigo 66 quais itens obrigatórios devem constar no documento.

O que dizem as normas e leis sobre o uso de EPI para aplicação de agrotóxicos?

A princípio, todo EPI precisa ter o Certificado de Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho, que certifica o cumprimento da NR 31 e atesta o nível de proteção de segurança dos equipamentos.

NR 31

A NR 31 é uma norma regulamentadora do Ministério do Trabalho que estabelece as regras que devem ser observadas na organização e ambiente de trabalho rural. Para isso, atribui responsabilidades ao empregador e trabalhador rural.

Responsabilidades do empregador rural

  • Fornecer o EPI e vestimentas que não apresentem desconforto térmico prejudicial e sejam condizentes com os riscos a que o trabalhador estará exposto;
  • Garantir que o EPI e as vestimentas estejam higienizadas e em perfeitas condições de uso;
  • Responsabilizar-se pela descontaminação do EPI no fim de cada jornada de trabalho, garantindo a substituição dos equipamentos quando necessário;
  • Orientar os trabalhadores sobre o uso correto dos dispositivos;
  • Evitar que dispositivos de proteção ou vestimentas contaminadas sejam transportados para fora do ambiente de trabalho;
  • Disponibilizar um local seguro onde os trabalhadores possam guardar suas roupas pessoais;
  • Prover toalhas, água e sabão para a higiene pessoal da equipe;
  • Evitar que qualquer EPI seja reutilizado sem a devida descontaminação;
  • Assegurar que nenhum trabalhador fará uso de roupas pessoais ao aplicar defensivos na lavoura.

Vale destacar que o empregador deve guardar documentos que comprovem o cumprimento das suas obrigações relacionadas ao EPI. Alguns deles são:

  • Nota fiscal de aquisição;
  • Número do certificado de aprovação de registro do Ministério do Trabalho;
  • Comprovante de entrega do EPI assinado;
  • Advertência formal pelo não uso do EPI (se houver);
  • Certificado de treinamento de aplicação de agrotóxicos — que pode ser fornecifo por diferentes instituições, inclusive o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).

Responsabilidades do trabalhador rural

  • Usar o EPI rural conforme as necessidades e orientações;
  • Cuidar bem do EPI;
  • Notificar o responsável sobre a necessidade de troca, seja por desgaste ou por defeito.

O não cumprimento das obrigações por parte do trabalhador pode levar a demissão por justa causa. Afinal, ele está colocando sua vida e sua saúde em risco ao realizar a atividade sem o EPI.

Como fazer a limpeza e manutenção do EPI utilizado na aplicação de agrotóxicos?

A limpeza e manutenção do EPI é essencial para evitar danos à saúde do trabalhador rural, assim como a contaminação do solo e água. Sendo assim, após a finalização do trabalho, os equipamentos devem ser sempre higienizados e descontaminados.

O processo de limpeza começa com as vestimentas, que devem ser higienizadas conforme as recomendações descritas no manual de instruções do fabricante de EPI. Entre os cuidados de limpeza estão:

  • Lavar o EPI separadamente das roupas comuns;
  • Utilizar luvas e avental durante a higienização;
  • Não utilizar detergentes que tenham enzimas alvejantes ou branqueadores, pois esses compostos retiram o tratamento hidrorrepelente que as vestimentas possuem;
  • Não deixar de molho ou esfregar.

Além disso, cada equipamento possui cuidados específicos:

  • Luvas e botas: devem ser lavadas com água e sabão abundantemente;
  • Respiradores: é preciso observar as instruções específicas que acompanham cada modelo. Respiradores duráveis que possuem filtros especiais para reposição devem ser higienizados e armazenados em local limpo. Já os filtros não saturados devem ser envolvidos em uma embalagem limpa para reduzir o contato com o ar;
  • Viseiras faciais: devem ser lavadas com água e sabão neutro. Também é importante usar pano macio para não riscar;
  • Jalecos, calças, toucas árabes e aventais: recomenda-se realizar a higienização conforme a indicação das etiquetas dos produtos e nos respectivos manuais de instruções.

Utilização e descarte

Antes de utilizar o EPI, é necessário conferir se ele ainda possui a proteção. Para isso, respingue água sobre algumas partes da vestimenta e espere 10 minutos.

Em seguida, verifique se há o efeito de uma lente de aumento (olhando através da gota d’água se os fios do tecido parecem maiores). Veja abaixo como funciona a hidrorrepelência:

Funcionamento da hidrorrepelência em um tecido (Créditos: Andefedu)
Funcionamento da hidrorrepelência em um tecido (Créditos: Andefedu)

Se o efeito aparecer, a vestimenta é segura para o uso. Caso contrário, o EPI pode ter perdido a proteção de hidrorrepelência. Logo, o equipamento não deverá ser utilizado.

Sendo assim, caso verifique que a vestimenta perdeu a proteção, lave e corte em pedaços as roupas. Depois, descarte em lixo comum ou siga a recomendação do manual de instruções de cada fabricante.

Conclusão

Muitos casos de contaminação humana por agrotóxicos no campo ocorrem pela falta da utilização correta do EPI. Por isso, é fundamental que os trabalhadores rurais fiquem atentos em relação às recomendações de uso presentes tanto no receituário agronômico como nos próprios produtos químicos.

Por fim, vale ressaltar que o uso do EPI para aplicação de agrotóxico é a melhor forma de prevenir o trabalhador do campo contra intoxicações que podem colocar a sua vida em risco.

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Gostou desse conteúdo? Então, aproveite e leia nosso artigo sobre tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.

Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

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