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O bicudo-do-algodoeiro provoca a queda dos botões florais, o que impede a abertura das maçãs do algodão (Créditos: Sebastião José de Araújo | Embrapa Algodão)

Bicudo-do-algodoeiro: como identificar, controlar e evitar prejuízos

Bicudo-do-algodoeiro: como identificar, controlar e evitar prejuízos

O bicudo-do-algodoeiro é uma das pragas mais importantes da cotonicultura brasileira, sendo responsável por prejuízos significativos quando não é identificado e controlado de forma eficiente.

Neste artigo, você vai aprender como fazer a identificação do bicudo-do-algodoeiro, conhecer os principais danos causados por essa praga e descobrir as estratégias de controle mais eficazes para o inseto.

O que é o bicudo-do-algodoeiro?

O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é um besouro considerado a principal praga da lavoura de algodão no Brasil e em diversas regiões das Américas.

Ele ataca preferencialmente as estruturas reprodutivas do algodoeiro, provocando quedas severas na produtividade e na qualidade da fibra.

Qual a origem do bicudo-do-algodoeiro?

O bicudo-do-algodoeiro é originário da região da América Central e México. A praga se espalhou pelo mundo a partir de populações nativas mexicanas e migrou para os Estados Unidos no final do século XIX, antes de ser acidentalmente introduzido no Brasil em 1983.

A evolução e a disseminação desta espécie ocorreram da seguinte forma:

  • Origem e descoberta: o primeiro registro do inseto ocorreu em zonas costeiras de Vera Cruz, no México, entre 1831 e 1835. Acredita-se que sua transição para infestar as plantações comerciais de algodão tenha ocorrido inicialmente no estado mexicano de Coahuila, em 1855;
  • Disseminação nos EUA: a espécie avançou para o Texas em 1892, tornando-se uma praga devastadora para a cotonicultura norte-americana;
  • Chegada ao Brasil: o inseto foi detectado no Brasil pela primeira vez em fevereiro de 1983, nas proximidades do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Estudos filogeográficos indicam que os primeiros bicudos chegaram ao território nacional a partir de insetos oriundos dos Estados Unidos, provavelmente por via aérea.

O bicudo-do-algodoeiro ataca quais culturas?

A principal cultura atacada pelo bicudo-do-algodoeiro é o algodão. Ele é a praga-chave da cotonicultura e pode causar perdas de até 100% da produção.

Em geral, ele não ataca exclusivamente o algodão, mas o algodoeiro é a única planta cultivada onde o inseto consegue completar todo o seu ciclo reprodutivo com sucesso.

Em outras palavras, nas outras culturas e plantas, o besouro atua apenas como um visitante temporário para abrigo ou alimentação de sobrevivência, principalmente durante o período de entressafra.

Hospedeiros alternativos

O bicudo pode utilizar outras plantas da família Malvaceae para se alimentar ou se abrigar, principalmente no período de entressafra ou quando não há algodão por perto:

  • Espécies selvagens de algodão: variedades nativas e silvestres do gênero Gossypium;
  • Quiabo (Abelmoschus esculentus): pode servir de alimento para os adultos, embora o inseto prefira o algodoeiro para o ciclo reprodutivo completo;
  • Hibisco e vinagreira (Hibiscus spp.): podem atrair o adulto em busca de alimento em momentos de escassez;
  • Plantas silvestres do gênero Hampea e Cienfuegosia: hospedeiros nativos do inseto em seu habitat original na América Central.

Como identificar o bicudo-do-algodoeiro?

Em síntese, para identificar o bicudo-do-algodoeiro é necessário observar o inseto adulto (um besouro de 3 a 9 mm, castanho ou acinzentado, com um bico longo) e os danos à lavoura.

Além disso, é fundamental procurar por botões florais amarelando e caindo, flores com formato de “balão”, e perfurações ou larvas brancas e curvas no interior das estruturas reprodutivas.

Para um monitoramento preciso, verifique detalhadamente as áreas afetadas focando nas seguintes características:

Inseto adulto

  • Aparência: besouro compacto medindo entre 3 mm e 9 mm, com coloração variando de cinza a castanho-escuro;
  • Bico característico: possui um rostro (bico) longo na cabeça que pode atingir até a metade do tamanho do resto do corpo;
  • Espinhos: apresenta um par de espinhos bem marcados nas pernas dianteiras.

Sinais de ataque na planta

  • Queda precoce: ocorre a separação das brácteas (folhas localizadas próximo à flores, comumente confundidas com pétalas) dos botões florais, seguido de amarelecimento e queda dos botões;
  • Flor em balão: as pétalas não abrem normalmente, ficando com um aspecto de “balão”;
  • Furo de alimentação: pequeno orifício aberto e liso;
  • Furo de oviposição: orifício coberto por uma saliência cerosa. Ao passar o dedo, sente-se uma “verruga”, indicando que há um ovo ou larva dentro.

Quais são os danos causados pelo bicudo-do-algodoeiro?

O bicudo-do-algodoeiro é a praga mais destrutiva do algodão no Brasil. Seus adultos e larvas destroem as estruturas reprodutivas da planta, o que causa amarelecimento, queda de botões, apodrecimento de frutos e perdas de produtividade que podem chegar a 100%.

Na prática, entre os principais danos estão:

  • Queda de botões florais: as fêmeas perfuram os botões para depositar ovos ou para se alimentar. Essa ação, combinada com a ação da larva, faz o botão amarelar e cair prematuramente;
  • “Flor em balão”: quando o ataque ocorre em botões prestes a desabrochar, a flor não se abre, fica inflada, com pétalas perfuradas e inviabilizada para a produção;
  • Perda de rentabilidade: com alta capacidade de reprodução (4 a 6 gerações por safra) e difícil controle por as larvas viverem protegidas no interior da planta, o bicudo pode comprometer completamente a rentabilidade da safra;
  • Alto poder de multiplicação: o ciclo de vida do bicudo-do-algodoeiro é curto, permitindo várias gerações ao longo de uma mesma safra;

Como combater o bicudo-do-algodoeiro?

O combate ao bicudo-do-algodoeiro exige uma estratégia de Manejo Integrado de Pragas (MIP) executada em conjunto por produtores de toda uma região. Como o inseto tem alto poder de destruição e rápida reprodução, o controle não pode depender apenas de inseticidas.

Veja abaixo estão os pilares fundamentais para combater a praga antes, durante e depois da safra:

1. Período de entressafra (prevenção de infestação)

A entressafra é o momento fundamental para quebrar o ciclo de vida do besouro. Sendo assim, essas são as principais medidas que podem ser adotadas para a prevenção de pragas no algodão:

  • Vazio sanitário: respeito rigoroso ao período determinado por lei em que é proibido ter plantas vivas de algodão no campo;
  • Destruição de soqueiras: logo após a colheita, é obrigatório eliminar completamente os restos da cultura (via corte mecânico, químico ou arrancamento) para privar o inseto de alimento e abrigo;
  • Eliminação de plantas tigueras: erradicação contínua de plantas voluntárias de algodão que nascem em beiras de estradas, carreadores ou em meio a outras culturas (como na soja).

2. Monitoramento de pragas e instalação de armadilhas

Saber quando e onde o bicudo está entrando na lavoura evita aplicações desnecessárias e melhora o momento do controle de pragas.

  • Armadilhas de feromônio (grandlure): instaladas no perímetro da lavoura cerca de 30 dias antes da semeadura e mantidas até a fase de botão floral. Ajudam a detectar a presença dos primeiros adultos vindos de áreas de refúgio;
  • Amostragem visual: vistorias semanais nas plantas focando nos botões florais das bordaduras e do interior do talhão para identificar furos de alimentação ou postura.

3. Controle químico

O uso de inseticidas deve ser estratégico, focado principalmente nos adultos, já que as larvas ficam protegidas dentro dos botões.

Além disso, a pulverização dos defensivos deve ser feita de acordo com o receituário agronômico, documento que contém as orientações para aplicação de produtos fitossanitários.

  • Aplicações de borda (Tubos de mata-bicudo): no início da infestação, o inseto costuma entrar pelas margens do talhão. Tratar as bordaduras reduz a população antes que ela se espalhe;
  • Rotação de modos de ação: alternar agrotóxicos de diferentes grupos químicos (como organofosforados, carbamatos e piretroides) para evitar que o inseto desenvolva resistência;
  • Aplicações em bloqueio (geral): quando o nível de dano econômico é atingido (geralmente quando cerca de 5% dos botões florais amostrados apresentam marcas de bicudo), realiza-se a aplicação em área total, respeitando os intervalos recomendados.

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4. Controle biológico e biotecnológico

O controle biológico e biotecnológico utiliza inseticidas biológicos e uso de atraentes e feromônios.

  • Uso de inseticidas biológicos: formulações à base do fungo Beauveria bassiana ou da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) vêm sendo integradas aos manejos químicos para auxiliar na redução populacional do besouro;
  • Uso de atraentes e feromônios: estratégias do tipo “atrai-e-mata”, combinando feromônio de agregação com dosagens ajustadas de inseticidas nas áreas de borda.

Conclusão

O bicudo-do-algodoeiro continua sendo uma das principais ameaças à cultura de algodão, exigindo atenção constante dos produtores desde o início do ciclo da cultura.

Sendo assim, a identificação precoce da praga, aliada ao frequente monitoramento de lavouras, permite a adoção de ferramentas de controle no momento mais adequado, reduzindo o impacto econômico do bicudo sobre o algodão.

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Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

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