Imagem de destaque para artigo sobre fatores que afetam o desenvolvimento de algodão. Descrição da imagem: lavoura de algodão. (Créditos: Shutterstock)

Quais são os principais fatores que afetam o desenvolvimento do algodão?

Quais são os principais fatores que afetam o desenvolvimento do algodão?

Você sabia que o Brasil é quinto maior produtor de algodão do mundo?

O dado vem do diagnóstico realizado por pesquisadores e analistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 2019.

Segundo o mesmo estudo, o Mato Grosso é um dos maiores produtores no país, seguido pela Bahia, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Com o aumento expressivo de produção nos últimos anos, o algodoeiro se tornou uma cultura atraente para produtores que buscam maior rentabilidade e novas possibilidades de negócio.

Pensando nisso, preparamos este artigo para explicar as particularidades dessa cultura e os fatores afetam o seu desenvolvimento. Confira!

Qual a origem do algodão no Brasil?

A princípio, quando os europeus desembarcaram no Brasil, os indígenas já tinham domínio sobre o algodão.

Nas terras brasileiras, os povos nativos transformavam a fibra em fios e os utilizavam na confecção de redes e cobertores. Além disso, eles também usavam a planta para alimentação e as folhas para o tratamento de feridas.

A exploração comercial da cultura no país teve início em 1970, no Maranhão. Lá, o plantio era dedicado ao algodão arbóreo perene, composto por fibras mais longas.

Posteriormente, o algodão herbáceo, caracterizado por uma fibra mais curta, porém mais produtivo, começou a ser cultivado em São Paulo.

É importante destacar que entre os séculos XVIII e XIX, o Brasil chegou a ser um dos maiores produtores e exportadores mundiais da fibra. O produto era utilizado como matéria-prima para a indústria têxtil inglesa no período da Revolução Industrial.

Entretanto, na década de 1980, houve uma devastação de várias lavouras por um inseto chamado bicudo-do-algodoeiro, motivo pelo qual levou o Brasil a precisar importar o produto.

Atualmente, o estado que mais produz algodão é o Mato Grosso, seguido por Bahia, Mato Grosso do Sul e Goiás. Nesse cenário, Mato Grosso e Bahia são responsáveis por 80% do algodão em pluma produzido no Brasil.

Ademais, cerca de 50% da produção brasileira é exportada, sendo que os maiores compradores são a Indonésia, Coreia do Sul, Vietnã, Bangladesh, Paquistão, China e Malásia.

Quais fatores afetam o desenvolvimento do algodão?

Para obter bons resultados e garantir um desenvolvimento saudável cultura de algodão, é necessário se atentar para alguns fatores importantes.

Entenda o que você precisa fazer para garantir o melhor rendimento e produtividade da sua lavoura.

Época de plantio

Em síntese, geralmente, o plantio de algodão ocorre entre os meses de outubro e fevereiro e a colheita se estende de março a agosto.

No entanto, é importante ressaltar que o que vai determinar a melhor época para plantio do algodão é o zoneamento e o regime de chuvas regionais.

Dessa forma, quando não há planejamento, as perdas na produtividade certamente serão uma consequência.

Assim, pode-se realizar o plantio do algodão em “época normal” ou “safrinha”, dependendo do tipo de sistema adotado na propriedade.

Nesse sentido, quando a semeadura acontece em “época normal”, ocorre apenas uma safra por ano. A vantagem é que, neste caso, a produção de algodão pode resultar em sua máxima produtividade.

Por outro lado, a semeadura em safrinha ocorre após a colheita da soja e tem início normalmente em fevereiro.

Preparo do solo

Para o plantio de algodão, recomenda-se a técnica de plantio direto, que consiste na semeadura com a presença de palha na superfície. Neste sistema de plantio, o objetivo é manter a conservação do solo.

Sendo assim, utiliza-se também a rotação de culturas na fase de pré-plantio da pluma a fim de ajudar na estruturação do solo e na elevação da capacidade de drenagem.

Essa prática contribui para o melhor aproveitamento da fertilidade do solo e para a redução da ocorrência de pragas e doenças.

Adubação e calagem

Em seguida, para identificar as necessidades do solo, utiliza-se as técnicas de adubação e calagem. Por meio delas, é possível avaliar o resultado da análise química e física do solo.

Então, com base nisso, define-se as doses de calcário e fertilizantes a serem aplicados para o cultivo da cultura. Normalmente estão situadas as seguintes faixas e parcelamento.

  • Calcário: 1,0 a 3,0 ton/ha, incorporando-se na profundidade de 20 centímetros, no mínimo sessenta dias antes do plantio.
  • Nitrogênio (N): de 100 a 120 quilos por hectare, dividido em três doses: 20% no Plantio, 40% aos trinta dias após a emergência e 40% aos sessenta dias após a emergência das plantas (DAE).
  • Fósforo (P): de 30 a 90 quilos por hectare em fundação.
  • Potássio (K) : de 20 a 60 quilos por hectare, dividido em duas doses: 50% no plantio e 50% aos trinta dias após a emergência das plantas (DAE).

A adubação do algodoeiro pode ocorrer em diferentes momentos para suprir as necessidades da cultura. Na etapa de semeadura, por exemplo, geralmente ocorre no sulco.

No caso do nitrogênio, a recomendação é baseada tanto na produtividade esperada quanto no histórico da área.

Nesse sentido, caso seja preciso, a adubação de cobertura pode ser realizada de forma única ou parcelada entre 30 e 35 dias após a emergência e entre 20 e 30 dias após a primeira adubação.

Época de semeadura e espaçamento

A cultura do algodoeiro necessita de tempo seco na fase da colheita.

Sendo assim, o indicado é se programar para o início da semeadura. Dessa forma, a colheita pode ocorrer em um período de estiagem, a fim de prevenir o comprometimento da qualidade do produto final.

Em suma, o período de semeadura varia de região para região, concentrando-se entre os meses de novembro e dezembro. Importante lembrar que o período total da semeadura deve ser de trinta dias, no máximo.

Já em relação ao espaçamento, é importante destacar que quanto maior o número de plantas em uma mesma área, maior será a competição entre elas, tanto por água quanto por luz e nutrientes.

Considerando isso, o fundamental é determinar o espaçamento adequado para a máxima produtividade da lavoura:

  • No algodoeiro, geralmente o indicado é que haja um espaçamento de 0,76 m a 0,90 m entre as fileiras;
  • Para cultivos mais densos (10 plantas por m²), o espaçamento pode ser de 0,45 a 0,50 m;
  • Para variedades com porte mais elevado, a densidade não deve ultrapassar 8 plantas por m².

No geral, recomenda-se maiores densidades para variedades de menor porte e para solos arenosos.

Controle de Pragas

Em síntese, as pragas de algodão surgem sistematicamente na cultura e podem reduzir significativamente a produção caso não sejam tomadas, a tempo, as devidas medidas de controle.

Para evitar, não se pode confiar em um único método de controle, visto que não existe solução única salvadora.

Logo, é preciso levar em consideração a necessidade da adoção de um conjunto de medidas que, combinadas harmonicamente, resultem no controle efetivo desses organismos.

De acordo com a Embrapa Algodão, uma das maneiras mais eficientes é a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Neste sistema, combina-se diferentes técnicas para reduzir as populações de praga e mantê-las em um nível populacional abaixo do que causa dano econômico.

Dessa forma, o MIP ajuda a garantir a sustentabilidade da cultura ao longo dos anos pela diminuição do custo e aumento da qualidade da produção.

As técnicas utilizadas incluem: controle biológico, controle cultural, controle genético (resistência de plantas a insetos), controle comportamental e controle químico.

No entanto, é importante ressaltar que o monitoramento eficiente e constante da lavoura é fator imprescindível no MIP. Apenas assim você pode utilizar várias táticas de controle de pragas com critério e em tempo hábil.

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Prevenção das principais doenças

Na prática, as condições climáticas e do solo, predominantes no cerrado brasileiro, propiciam a manifestação de diversas doenças na cultura do algodoeiro.

O desenvolvimento dessas doenças podem, se não tratadas a tempo, ser responsável pela queda de produtividade e da qualidade do produto colhido.

Nesse cenário, destacam-se as doenças causadas por fungos e vírus, que são responsáveis pelo aumento do custo de produção com a compra de agrotóxicos para a condução da lavoura. As principais doenças que ocorrem na cultura do algodão são:

  • Doença Azul;
  • Manha Angular;
  • Ramulária;
  • Podridão das Maçãs;
  • Ramulose;
  • Mofo Branco.

Caso ocorra o surgimento de algumas dessas doenças, o recomendado é buscar ajuda de um profissional especializado para indicar o melhor método para combatê-las.

Com o diagnóstico da lavoura, o responsável técnico poderá emitir o receituário agronômico com a prescrição do defensivo agrícola ideal.

Se for optado o MIP, as orientações técnicas para o uso do sistema também estarão na receita.

Colheita

Por fim, a colheita de algodão deve ser iniciada quando metade dos capulhos estiverem totalmente abertos.

Entretanto, se a área tiver a presença de plantas daninhas em excesso, é preciso que ela seja limpa antes de iniciar a colheita.

No geral, o algodão colhido deve ser armazenado em local seco e ventilado, com circulação restrita de pessoas, isentos de umidade, poeira e da presença de animais.

A observação desses cuidados contribui para a manutenção da qualidade do produto colhido e sua valorização na hora da comercialização.

Planejamento

Outro fator fundamental é se planejar. Isso significa que você vai precisar se informar sobre os principais custos gerados pelo plantio de algodão. Esse tipo de informação contribui para que você tome decisões assertivas e otimize os ganhos com sua lavoura.

É importante ressaltar que o algodão é uma das culturas que mais exigem cuidados e investimentos.

Sendo assim, é preciso considerar e analisar todo e qualquer detalhe em seu processo produtivo. Tudo isso fará diferença nos números finais de produção e rentabilidade da lavoura.

Gostou desse conteúdo? Leia também nosso artigo sobre os fatores que afetam o desenvolvimento da soja e milho.

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Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

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