Imagem de destaque para artigo sobre Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) no Blog AgriQ. Descrição da imagem: lavoura de soja. (Créditos: Shutterstock)

Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC): o que é e quais são as vantagens para a agricultura?

Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC): o que é e quais são as vantagens para a agricultura?

Você sabe o que é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc)?   

Este instrumento de política agrícola é adotado nacionalmente e ajuda o produtor rural no planejamento da safra, de forma a evitar perdas na produção.    

Além disso, o Zarc também é um importante mecanismo para os programas de seguridade agrícola do governo federal.   

Neste artigo, vamos explicar como funciona o Zarc e qual sua importância para a agricultura brasileira.   

Continue a leitura para saber mais!   

O que é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático?   

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é um estudo que identifica regiões e épocas de menor risco climático para o plantio e semeadura das culturas. 

A definição do período considera diferentes fatores — como clima, solo, espécies, tipos de cultivares e sistemas de produção — para orientar os produtores rurais e minimizar possíveis perdas agrícolas decorrentes de adversidades climáticas.   

Instituído pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e realizado com apoio técnico-científico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Zarc é um instrumento nacional de política agrícola e gestão de riscos.   

Atualmente, é gerenciado pelo Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático, regido pelo Decreto nº 9.841/2019.   

Quando e por que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático foi adotado no Brasil?   

O primeiro esboço do que seria o Zarc começou com estudos nos anos 80 da Embrapa Arroz e Feijão.   

Na época ainda com o nome Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão (CNPAF), a instituição passou a desenvolver trabalhos sobre zoneamento agroclimático. Os estudos investigavam o regime pluvial e o balanço hídrico e eram realizados para períodos de cinco dias, em 80 localidades produtoras de arroz de sequeiro no Brasil.    

Por meio da pesquisa, foi possível identificar regiões com menor risco climático — ou seja, em que os fatores climáticos favoreciam o cultivo do arroz de sequeiro — e as com maior risco climático — isto é, os locais desfavorecidos para o cultivo. Assim, a partir dessas constatações, o CNPAF foi capaz de verificar quais eram os períodos mais favoráveis de semeadura do arroz para Goiás.   

Em agosto de 1990, durante uma visita ao CNPAF, o então ministro da agricultura Antônio Cabrera Mano Filho resolveu adotar os estudos sobre zoneamento agroclimático como um instrumento do Ministério da Agricultura.  

Na época, o objetivo era reduzir a cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), iniciativa do governo que exonera pequenos e médios produtores rurais de pagar os financiamentos quando a produção agrícola for prejudicada em decorrência de eventos climáticos ou pragas e doenças sem controle.   

Portanto, podemos dizer que o interesse do governo federal nos estudos de zoneamento agroclimático almejava garantir uma produção agrícola mais assertiva, com menos perdas.  

Na prática, isso significava que com lavouras bem-sucedidas, pequenos e médios produtores rurais recorreriam menos ao Proagro, o que ajudaria os órgãos públicos a economizar no pagamento de indenizações do programa.   

Zarc como instrumento nacional  

Inicialmente, o zoneamento agroclimático do arroz de sequeiro foi solicitado para os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. Em 1995, foi publicado o do estado goiano, que serviu como referência para o desenvolvimento de um programa mais amplo desenvolvido pelo Mapa a partir da safra 1995/1996.   

Assim, sob a coordenação da Secretaria da Comissão Especial de Recursos (CER/Proagro), o Mapa criou o Zarc como conhecemos hoje. Em 1996, o instrumento foi oficialmente adotado pela primeira vez no Brasil, com a publicação do estudo para a cultura do trigo.   

 Qual a importância do Zoneamento Agrícola de Risco Climático?   

O Zarc é um instrumento que amplia a produtividade e a produção total das culturas. Com a definição de regiões a nível municipal e análise de diversos fatores, que vão desde o solo até o tipo de cultivar, o zoneamento agrícola reduz a chance das fases críticas de desenvolvimento da cultura ocorrerem em períodos com maior probabilidade de adversidades climáticas (como falta de água ou temperaturas excessivamente elevadas/baixas).   

Além das vantagens que gera à produção rural, o Zarc também é importante para a seguridade agrícola — o instrumento é um critério avaliado pelas instituições e agentes financeiros na hora de conceder o crédito ao agricultor. Essa foi uma forma que o governo federal encontrou, como mencionamos acima, de reduzir custos na área.   

Sendo assim, para que o produtor rural tenha acesso ao Proagro (modalidade geral para todos os agricultores), ao Proagromais (modalidade para agricultores familiares) e ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), é preciso que ele siga o zoneamento agrícola da região e da cultura que ele cultiva.   

Como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático é elaborado?   

Os estudos para elaboração do Zarc analisam três parâmetros principais: clima, solo e ciclos de cultivares. A partir das análises desses fatores, é possível quantificar os riscos climáticos que podem ocasionar perdas na produção agrícola.    

A instituição responsável pelo desenvolvimento e validação da metodologia para as pesquisas é a Embrapa, que também realiza aplicação do zoneamento agrícola no paí 

Após a Embrapa concluir o estudo, há o processo de validação do Zarc. Essa é uma etapa realizada por meio de seminários técnicos e reuniões em conjunto com representantes do Mapa e do setor produtivo. Produtores rurais, pesquisadores e empresas de planejamento interessados no instrumento também podem participar.  

Com os resultados do estudo, o Mapa publica o Zarc de cada cultura por meio de portarias. Os documentos, disponibilizados no Diário Oficial da União (DOU) e no site do ministério, contém:  

  • Relação de municípios;  
  • Tipos de solos aptos ao cultivo;  
  • Cultivares indicadas;  
  • Calendário para plantio ou semeadura.   

O Zarc está em constante atualização. Os estudos são revisitados a cada cinco anos, de forma a incorporar novas metodologias, tecnologias, informações e demandas.   

Quais culturas possuem Zoneamento Agrícola de Risco Climático?   

Atualmente, o Brasil possui Zarc para mais de 40 culturas, como soja, milho e algodão. Elas são divididas entre espécies de ciclo anual e permanente, que contemplam todas as unidades da federação.    

Como consultar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático da minha cultura ou região?   

Você pode verificar o zoneamento agrícola da sua cultura ou região de diferentes formas:   

  1. Pelo site do Mapa, na seção de Portarias da página do Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Nela, você faz a seleção por estado e posteriormente, por cultura.   
  2. Por meio do Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (SISZARC). Nele, o usuário pode realizar a consulta de cultivares indicadas a partir da safra 2016/2017.   
  3. Pelo Painel de Indicação de Riscos, em que é possível realizar a busca com uso de filtros como unidade de federação, municípios, safra, cultura, solo e grupo.   
  4. Pelo aplicativo Zarc – Plantio Certo, disponível para sistema Android e iOS. 

Quais foram as mudanças recentemente implementadas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático?   

Em 2022, a Embrapa se comprometeu a atualizar o Zarc e ampliar o zoneamento agrícola de mais de 30 culturas. Essa expansão do programa foi resultado do convênio da empresa e do Mapa com o Banco Central.  

O Mapa também definiu propostas específicas para o zoneamento agrícola no Plano Safra 21/22, que estão sendo implementadas nos últimos anos. São elas:   

  • Mudança na classificação de solo, que passa a contar com seis classes de solo de acordo com a disponibilidade de água;   
  • Definir níveis de manejo do solo para diferenciar os estudos Zarc, de forma a reduzir os riscos e melhorar as propriedades físico-hídricas do terreno;   
  • Desenvolver e apresentar a metodologia do ZarcPRO, estudo que irá considerar diferentes níveis de produtividade esperada (PE) para as culturas de soja, milho e cana-de-açúcar até dezembro de 2021.   
  • Disponibilizar a Tomada Pública de Subsídios (TPS), etapa anterior à validação dos estudos de Zarc, a partir do ano de 2022; 
  • Atualizações do Aplicativo Plantio Certo – Zarc.   

Conclusão   

Para que a cultura agrícola alcance todo seu potencial produtivo, é necessário considerar uma série de fatores.   

Entre eles, estão as condições do ambiente onde será o cultivo — em especial, o clima.   

O Zarc, como vimos neste artigo, é um estudo que busca identificar as regiões e épocas de menor risco climático para o plantio e semeadura de diferentes culturas.   

No Brasil, o Zarc é implantado desde os anos 90. O instrumento deu tão certo que se tornou uma política nacional e hoje, é utilizado no cultivo de mais de 40 culturas.  

O sucesso do Zarc como uma ferramenta para a produtividade agrícola reforça o papel da ciência e tecnologia na agricultura. Além disso, também ressalta a importância da avaliação das condições ambientais para o cultivo.  

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Julie Tsukada

Jornalista e Analista de Conteúdo no Conexa, hub de inovação da Aliare.

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