A presença da lagarta-rosca no campo pode representar um risco significativo para o sucesso da safra, especialmente durante o estabelecimento inicial das culturas. Muitas vezes, os danos só são percebidos quando as plantas já foram cortadas ou comprometidas, tornando o monitoramento uma prática indispensável.
Neste artigo, você vai entender o que é a lagarta-rosca, como identificar seus ataques e quais medidas podem ser adotadas para realizar um controle eficiente.
Acompanhe a seguir!
O que é lagarta-rosca?
A lagarta-rosca é a fase larval de mariposas que pertencem principalmente ao gênero Agrotis, sendo a espécie Agrotis ipsilon a mais comum no Brasil. Ela recebe esse nome devido seu comportamento de defesa, pois quando é tocada ou se sente ameaçada, ela se enrola completamente, parecendo uma rosca ou uma espiral.
Esta lagarta tem coloração escura, variando entre o cinza-acastanhado e o grafite, com uma textura que parece oleosa ou brilhante. Além disso, tem hábitos predominantemente noturnos — ou seja, passa o dia escondida sob a terra ou restos de folhas e sai para se alimentar durante a noite.
Como identificar lagarta-rosca?
A identificação da lagarta-rosca combina a observação visual do próprio inseto com os sinais característicos que ela deixa na lavoura.
Como ela passa a maior parte do dia escondida, os sintomas da lagarta-rosca nas plantas costumam ser o primeiro alerta. Confira!
Características visuais do inseto

Se você cavar um pouco a terra ao redor de uma planta atacada, poderá encontrar a lagarta. Note que ao ser tocada, ela se enrola imediatamente, formando uma espiral ou um círculo perfeito.
Ademais, a pele tem um aspecto brilhante, quase oleoso. A coloração varia de cinza-escuro a marrom-acinzentado, às vezes com listras longitudinais pouco evidentes.
Já em relação ao tamanho, as lagartas completamente desenvolvidas atingem cerca de 4 a 5 centímetros de comprimento antes de passarem para a fase de pupa.
Sinais de ataque na lavoura
O comportamento de alimentação da lagarta-rosca é muito específico. Por isso, é fundamental ficar atento e observar os sinais presentes na lavoura:
- Plantas cortadas: o sinal mais clássico é encontrar plantas jovens tombadas, cortadas rente ao solo. O corte é limpo, como se tivesse sido feito com uma tesoura;
- Seccionamento sem consumo: muitas vezes a planta está inteira no chão, pois a lagarta corta a base para se alimentar da seiva ou do tecido mole, mas não devora as folhas;
- Falhas no estande: o ataque cria clareiras ou linhas com falhas consecutivas na lavoura, já que uma única lagarta se desloca e corta várias plântulas próximas na mesma noite.
Hábitos e localização
Em geral, durante o dia, ela fica alojada superficialmente no solo, geralmente a uma profundidade de 2 a 5 centímetros, bem próxima à base da planta que foi cortada ou que será o próximo alvo.
Por outro lado, no período da noite, a lagarta-rosca só fica visível sobre a superfície do solo ou subindo em plantas maiores durante a noite ou em dias muito nublados e úmidos.
Como é o ciclo de vida da lagarta-rosca?

O ciclo biológico da lagarta-rosca é completo, passando por quatro fases bem definidas: ovo, lagarta (fase larval), pupa e adulto (mariposa).
Vale destacar que a duração total do ciclo varia bastante de acordo com as condições climáticas. Em regiões ou épocas mais quentes, o ciclo se acelera, levando em torno de 35 a 45 dias. Em períodos frios, esse tempo pode se prolongar significativamente.
Veja o comportamento e a duração de cada uma das quatro fases:
1. Ovo (3 a 6 dias)
A mariposa fêmea deposita seus ovos de forma isolada ou em pequenos grupos. Na prática, ela prefere colocá-los na parte inferior das folhas das plantas, em plantas daninhas ou diretamente no solo úmido e sob restos culturais.
Os ovos são muito pequenos, de formato arredondado, e mudam de cor (do branco para o amarelado ou escuro) à medida que chegam perto de eclodir.
2. Lagarta (20 a 30 dias)
Esta é a fase em que o inseto causa prejuízos e o período mais longo do ciclo. Sendo assim, nos primeiros dias, as lagartas recém-nascidas são pequenas, ficam nas folhas e se alimentam do tecido foliar, causando pequenos furos. Nessa fase inicial, elas ainda não cortam as plantas.
No entanto, conforme crescem (passando por 6 a 7 instares), elas mudam o comportamento. Isso significa que passam a viver escondidas no solo durante o dia e saem à noite para cortar as plântulas na base. O potencial de dano é severo a partir do 4º instar.
3. Pupa (10 a 15 dias)
Quando atinge o desenvolvimento máximo, a lagarta para de se alimentar e penetra um pouco mais fundo no solo (cerca de 5 a 10 centímetros). Ali, ela constrói uma pequena câmara de terra para se transformar em pupa (ou crisálida).
Essa fase é de repouso aparente, sendo que a pupa tem coloração marrom-avermelhada brilhante e não se move nem se alimenta enquanto ocorre a transformação interna.
4. Adulto / mariposa (vida útil de 7 a 10 dias)
A mariposa que emerge do solo tem hábitos estritamente noturnos. Ela possui asas anteriores de cor marrom-escura com algumas manchas pretas em formato de “Y” ou linhas pretas pontiagudas, enquanto as asas posteriores são mais claras.
É importante destacar que a mariposa da lagarta-rosa é excelente voadora e se alimenta de néctar. Poucos dias após emergirem, ela realiza o acasalamento, e uma única fêmea pode ovipositar de 1.000 a mais de 2.000 ovos durante a sua curta vida adulta, reiniciando o ciclo.
Quais são os inimigos naturais da lagarta-rosca?
A princípio, os principais inimigos naturais da lagarta-rosca incluem pássaros (que comem larvas expostas ao arar o solo), vespas e moscas parasitoides, besouros predadores, além de microrganismos como fungos, bactérias e nematoides.
Em resumo, eles atuam como agentes de controle biológico, divididos em três grupos principais:
Predadores:
- Pássaros (como os que seguem tratores durante o preparo do solo);
- Besouros, formigas e joaninhas (que se alimentam de ovos e lagartas menores).
Parasitoides:
- Vespas minúsculas e moscas que depositam seus ovos dentro ou sobre as lagartas.
Microrganismos (patógenos):
- Fungos, bactérias e nematoides que adoçam e matam as lagartas no solo.
Como controlar a lagarta-rosca?
O controle eficiente da lagarta-rosca exige uma estratégia combinada, pois ela passa o dia escondida sob a terra, o que torna as aplicações químicas convencionais pouco eficientes se feitas de forma isolada ou no momento errado.
Em resumo, o manejo da lagarta-rosca deve começar antes mesmo do plantio e seguir critérios do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Confira os principais métodos:
Prevenção
Antes de tudo, é importante investir em práticas de prevenção da lagarta-rosca. Para isso, realize a dessecação antecipada e o controle de plantas daninhas:
- Dessecação antecipada: elimine o mato e a cobertura verde de 20 a 30 dias antes de semear. Isso tira a fonte de alimento da lagarta-rosca, fazendo com que ela morra de fome antes da nova cultura germinar;
- Controle de plantas daninhas: limpe a área de invasoras como caruru e buva, que são os locais preferidos das mariposas para botar ovos.
Proteção inicial da planta
A proteção inicial garante que a plântula recém-germinada permaneça segura na base do caule e nas primeiras raízes. Portanto, o recomendado é utilizar:
- Tratamento de Sementes (TS): use inseticidas sistêmicos industriais na semente. Eles protegem o tecido da plântula nos primeiros dias, matando a lagarta quando ela tenta raspar a base do caule;
- Tecnologia Bt: o uso de plantas transgênicas Bt funciona como um controle logo nos primeiros estágios de desenvolvimento da lagarta-rosca (fases jovens), evitando que elas cresçam e comecem a cortar as plantas.
Controle químico (pulverização)
Se o monitoramento de pragas indicar a necessidade de aplicar inseticida após a emergência das plantas, o sucesso depende da forma de aplicação:
- Aplicação estritamente noturna: como a lagarta passa o dia enterrada e só sai para se alimentar no escuro, o produto deve ser aplicado do início da noite em diante;
- Alto volume de calda (água): regule o pulverizador para usar bastante água. O objetivo é fazer o inseticida escorrer pelo caule da planta e atingir a base do solo, onde o inseto fica alojado
Controle biológico
Pode-se utilizar defensivos biológicos à base de Bt (Bacillus thuringiensis) em pulverização ou liberar a microvespa Trichogramma para parasitar e destruir os ovos da mariposa antes que as lagartas nasçam.
Conclusão
O controle da lagarta-rosca é fundamental para preservar a produtividade agrícola e evitar perdas que podem impactar diretamente a rentabilidade da propriedade rural. Como seus ataques ocorrem principalmente no início do ciclo das culturas, a atenção aos primeiros sinais de infestação faz toda a diferença.
Contudo, ao combinar monitoramento e medidas de controle adequadas, é possível minimizar os prejuízos e promover um estabelecimento mais uniforme da lavoura, favorecendo o desenvolvimento da cultura até a colheita.
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Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.


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