Falar com um especialista! Preencha os campos abaixo!
Imagem de destaque para artigo sobre aprovação de agrotóxicos no Brasil publicado no Blog AgriQ | Créditos: Shutterstock

Aprovação de agrotóxicos no Brasil: como funciona o processo

Aprovação de agrotóxicos no Brasil: como funciona o processo

A aprovação de agrotóxicos no Brasil exige rigorosas avaliações agronômicas, toxicológicas e ambientais para garantir que o produto cumpra a legislação antes de chegar ao mercado.

Antes de chegar às prateleiras e às lavouras, um defensivo agrícola precisa passar por um processo de avaliação e registro que envolve diferentes critérios e órgãos reguladores.

Neste artigo, você vai entender como funciona esse processo, quais órgãos participam da avaliação e quais são as principais etapas para a aprovação de agrotóxicos no Brasil.

Confira a seguir!

Agrotóxicos no Brasil: um panorama geral

O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, registrando recordes sucessivos de liberações e de casos de intoxicação na última década.

Panorama e consumo

Tipos de agrotóxicos e suas classificações

No mercado agrícola, os defensivos agrícolas e insumos são categorizados conforme sua finalidade técnica de controle, origem do ativo e nivelamento de risco toxicológico ou ambiental.

Classificação por finalidade

  • Herbicidas: indicados para o manejo e controle de plantas daninhas que competem por luz, água e nutrientes;
  • Inseticidas: destinados ao controle de insetos praga que causam danos diretos às lavouras ou atuam como vetores de doenças;
  • Fungicidas: utilizados na prevenção e combate a doenças causadas por fungos fitopatogênicos;
  • Bactericidas: formulados especificamente para a contenção de infecções bacterianas nas plantas;
  • Acaricidas: focados no combate e controle de ácaros;
  • Nematicidas: utilizados para o manejo de nematoides no solo e no sistema radicular;
  • Reguladores de crescimento: substâncias que alteram o desenvolvimento vegetativo, floração ou maturação das culturas.

Classificação toxicológica (Anvisa)

Com base no padrão do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS, na sigla em inglês), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) categoriza os produtos de acordo com o risco à saúde humana:

  • Categoria 1 – Extremamente Tóxico: faixa vermelha no rótulo.
  • Categoria 2 – Altamente Tóxico: faixa vermelha no rótulo.
  • Categoria 3 – Moderadamente Tóxico: faixa amarela no rótulo.
  • Categoria 4 – Pouco Tóxico: faixa azul no rótulo.
  • Categoria 5 – Improvável de Causar Dano Agudo: faixa azul no rótulo.
  • Não Classificado: produtos com risco mínimo, com indicação em faixa verde.
Classificação toxicológica de agrotóxicos no Brasil, definida pela Anvisa (Créditos: Canal do Boi)
Classificação toxicológica de agrotóxicos no Brasil, definida pela Anvisa (Créditos: Canal do Boi)

Classificação de periculosidade ambiental (Ibama)

O Ibama avalia o impacto potencial do defensivo em ecossistemas, corpos d’água, solo e fauna terrestre/aquática:

  • Classe I: produto Altamente Perigoso ao Meio Ambiente.
  • Classe II: produto Muito Perigoso ao Meio Ambiente.
  • Classe III: produto Perigoso ao Meio Ambiente.
  • Classe IV: produto Pouco Perigoso ao Meio Ambiente.

Como funciona a aprovação de agrotóxicos no Brasil?

A aprovação de agrotóxicos no Brasil é um processo rigoroso que exige a análise conjunta de três órgãos do Governo Federal. Cada um avalia um pilar técnico específico antes que o produto possa ser fabricado, importado ou comercializado.

1. Órgãos avaliadores e suas competências

O processo de avaliação técnica compreende a atuação de três frentes principais do governo federal:

  • Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa): é o órgão registrante e coordenador do processo para uso agrícola. Avalia a eficiência agronômica e a dosagem recomendada, garantindo que o produto realmente cumpra o que promete no combate às pragas;
  • Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): realiza a avaliação toxicológica. Determina os riscos à saúde de quem aplica o produto, de quem consome os alimentos tratados e estabelece os Limites Máximos de Resíduos (LMR) e o período de carência;
  • Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis): conduz a avaliação ecotoxicológica e ambiental. Classifica o potencial de periculosidade ambiental e mede o impacto do composto no solo, na água, na fauna e na flora.

2. Etapas do processo de aprovação de agrotóxicos no Brasil

  • Pesquisa e produção de dados: a empresa requerente realiza ensaios em campo e em laboratório sob os padrões de Boas Práticas de Laboratório (BPL). É gerado um dossiê com dados de toxicologia, química, estabilidade, impacto ambiental e eficiência;
  • Submissão do pedido: a solicitação é protocolada paralelamente no Mapa, na Anvisa e no Ibama;
  • Análise dos três órgãos: cada instituição avalia o dossiê na sua área de competência. Se houver inconsistências, são emitidas exigências técnicas para complementação de informações.
  • Conclusão e emissão do registro: se o produto for aprovado nas três frentes, o Mapa concede o número do registro e publica a liberação no Diário Oficial da União.

3. Prioridades na fila de análise

Embora a fila siga a ordem cronológica de entrada, o processo de análise pode ser priorizado nos seguintes casos:

  • Produtos biológicos e microbiológicos: insumos de baixo impacto ambiental e para agricultura orgânica têm trâmite facilitado;
  • Emergências fitossanitárias: surtos inesperados de pragas sem opções de controle no mercado.
  • Novas moléculas: princípios ativos inéditos no país que apresentem menor toxicidade do que as opções já existentes.

Nova lei dos agrotóxicos no Brasil: o que muda?

A Lei nº 14.785/2023 é o novo marco regulatório que substitui a legislação de agrotóxicos de 1989. Ela atualiza as regras de registro, fiscalização e uso de produtos no campo para alinhar o Brasil aos padrões internacionais.

Entre as novidades propostas pela norma, temos:

Nova nomenclatura

O termo agrotóxico sai de cena no texto legal e dá lugar à defensivo agrícola e produto fitossanitário. Isso aproxima o mercado brasileiro das normas externas e obriga as empresas a atualizar rótulos e documentações técnicas.

Prazos limitados

O governo passa a ter um teto máximo de 24 meses para analisar o registro de produtos inéditos. O texto também cria vias mais rápidas e prioritárias para a aprovação de defensivos biológicos.

Avaliação de risco

A proibição de uma nova molécula agora é definida pelo critério de risco inaceitável. A análise técnica passa a focar no perigo real durante o manuseio e a aplicação, abandonando proibições baseadas apenas em características teóricas de laboratório.

Multas maiores

As punições para quem fabricar, importar, comercializar ou aplicar defensivos ilegais e sem registro ficaram mais rígidas, com multas financeiras que podem chegar a 2 milhões de reais.

Receita e embalagens

A emissão de receituário agronômico por um profissional capacitado continua obrigatória para a compra. A devolução de embalagens vazias lavadas pelo produtor rural às centrais de recebimento ganha ainda mais força e rastreabilidade na fiscalização.

Banner CTA com redirecionamento para página de teste grátis do AgriQ Receituário Agronômico. Texto da imagem: Receitas agronômicas de acordo com a legislação federal e estadual. Conheça o AgriQ.

Conclusão

Como vimos, a aprovação de agrotóxicos no Brasil envolve uma série de avaliações e requisitos estabelecidos pela legislação para que esses produtos possam ser registrados e utilizados na agricultura.

O processo considera diferentes aspectos relacionados à eficiência agronômica, à saúde humana e ao meio ambiente, além de envolver a atuação dos órgãos competentes em suas respectivas áreas.

Vale ressaltar que o uso de agrotóxicos deve sempre seguir as recomendações de rótulo e bula, a legislação vigente e as orientações da receita agronômica, a fim de garantir um manejo mais seguro, eficiente e responsável.

Gostou desse conteúdo? Então, aproveite e leia nosso artigo sobre receita agronômica off-label.

Post Tags :

Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

Deixe um comentário

Sua privacidade é importante.

Cookies são pequenos arquivos de texto que são armazenados no seu computador quando visita um site. Utilizamos cookies para diversos fins e para aprimorar sua experiência no nosso site (por exemplo, para se lembrar dos detalhes de login da sua conta).

Pode alterar as suas preferências e recusar o armazenamento de certos tipos de cookies no seu computador enquanto navega no nosso site. Pode também remover todos os cookies já armazenados no seu computador, mas lembre-se de que a exclusão de cookies pode impedir o uso de determinadas áreas no nosso site.