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Çagarta-cartucho (Spodoptera Frugiperda) (Créditos: Maurien Trubbold | Shutterstock)

Lagarta-do-cartucho: como identificar e controlar essa praga

Lagarta-do-cartucho: como identificar e controlar essa praga

A presença da lagarta-do-cartucho no campo exige atenção constante dos produtores rurais. Afinal, o ataque dessa praga ocorre rapidamente e, se não for controlado a tempo, pode reduzir drasticamente a rentabilidade da safra.

Neste artigo, vamos explicar como identificar a lagarta-do-cartucho, os danos que ela provoca e as melhores estratégias de manejo para proteger sua produção.

Confira a seguir!

O que é a lagarta-do-cartucho?

A lagarta-do-cartucho, cientificamente conhecida como Spodoptera frugiperda, é uma das principais pragas agrícolas do Brasil. Ela recebe esse nome popular por ter o hábito de se alojar no “cartucho” (o interior, a parte mais nova e enrolada das folhas) de plantas como o milho, onde se alimenta e causa grandes danos.

Além do milho, outras culturas afetadas por essa praga são:

Quais são as características da lagarta-do-cartucho?

Lagarta-do-cartucho (Créditos: Marina Pessoa | Embrapa Milho e Sorgo)
(Créditos: Marina Pessoa | Embrapa Milho e Sorgo)

A princípio, a lagarta-do-cartucho é caracterizada por uma mancha em forma de “Y” invertido na cabeça, cores que variam do verde ao preto (geralmente marrom-escuro), listras amareladas no corpo e quatro pontos pretos no final do abdômen.

Além disso, é um inseto polífago. Isso significa que ela alimenta-se de uma grande variedade de plantas,como milho, soja, algodão e outras.

Ademais, os danos mais severos ocorrem quando a lagarta está em estágios mais avançados de desenvolvimento. Afinal, elas podem destruir o ponto de crescimento da planta, o que compromete a sua capacidade de se desenvolver e produzir.

Em resumo, ela pode ser identificada por meio das seguintes características:

  • Cabeça: apresenta uma mancha em formato de “Y” invertido bem visível na fronte;
  • Coloração: a cor varia de clara, ao nascer, a marrom-escura ou preta com listras amareladas ao longo do corpo quando está mais desenvolvida;
  • Abdômen: no final do abdômen, possui quatro pontos pretos simétricos que formam um quadrado;
  • Pernas: possui três pares de pernas verdadeiras no tórax e cinco pares de falsas pernas no abdômen, que auxiliam na sua locomoção;
  • Tamanho: as lagartas podem atingir até cerca de 4,0 a 4,5 cm.

Quais são os danos causados pela lagarta-do-cartucho?

Danos causados pela lagarta-do-cartucho na folha do milho (Créditos: Anderson Rossato | Revista Cultivar)
Danos causados pela lagarta-do-cartucho na folha do milho (Créditos: Anderson Rossato | Revista Cultivar)

A lagarta-do-cartucho é uma das pragas mais destrutivas na agricultura. Sendo assim, ela é capaz de causar diversos tipos de danos, conforme a fase de desenvolvimento da planta e da intensidade da infestação.

Em geral, os prejuízos estão diretamente relacionados ao hábito de alimentação da lagarta, que prefere as partes mais jovens e em crescimento da planta.

Confira a seguir os danos que essa praga causa na lavoura:

Danos iniciais

Nos primeiros estágios de desenvolvimento, as lagartas recém-nascidas raspam a superfície das folhas. Esse dano superficial é menos grave, mas já é um sinal de infestação.

Danos no “cartucho”

Os danos no cartucho são os mais severos. Afinal, a lagarta se abriga no cartucho (o interior das folhas enroladas do milho, sorgo, etc.) e se alimenta da parte mais nova da planta.

Na prática, isso pode levar à destruição do ponto de crescimento apical. Como resultado, a planta perde a capacidade de crescer verticalmente e produzir, o que pode levar à sua morte ou ao desenvolvimento de múltiplas e improdutivas espigas.

Danos na espiga e grãos

Em plantas mais maduras, a lagarta pode se mover para a espiga e se alimentar dos grãos em formação. Esse dano direto reduz a qualidade e a quantidade da produção, afetando a rentabilidade da colheita.

Danos na haste

As lagartas podem perfurar as hastes das plantas para se alimentar. Isso enfraquece a estrutura das plantas, tornando-as mais suscetíveis a quebras (tombamento), especialmente com ventos fortes.

Vale ressaltar que os danos físicos se traduzem em perdas econômicas significativas para os agricultores. Sendo assim, entre os principais impactos e prejuízos, podemos citar:

  • Redução da produtividade: a infestação intensa da lagarta pode levar a uma queda drástica na produtividade por hectare, já que as plantas danificadas não conseguem se desenvolver ou produzir grãos de forma eficiente;
  • Custo de controle: o manejo da praga exige a aplicação de inseticidas ou o uso de outras tecnologias, como sementes transgênicas (Bt), o que aumenta consideravelmente os custos de produção;
  • Perda de qualidade: mesmo que a planta sobreviva, a qualidade dos grãos ou frutos pode ser comprometida, resultando em um menor valor de mercado.

Qual é o ciclo de vida da lagarta-do-cartucho?

O ciclo de vida da lagarta-do-cartucho passa por quatro fases distintas: ovo, lagarta (larva), pupa e mariposa (adulto). Entenda as características de cada uma delas:

1. Ovo

Massa de ovos depositados pela lagarta-do-cartucho (Créditos: Desiree Van Heerden | Syngenta)
Massa de ovos depositados pela lagarta-do-cartucho (Créditos: Desiree Van Heerden | Syngenta)

Inicialmente, a fêmea adulta deposita seus ovos em massas, geralmente na face inferior das folhas das plantas hospedeiras. Uma única mariposa pode colocar centenas de ovos ao longo de sua vida.

Os ovos têm uma coloração que varia do verde-claro ao amarelo-creme e, dependendo das condições de temperatura e umidade, a fase de ovo dura de 2 a 5 dias.

2. Lagarta (larva)

Lagarta-do-cartucho (Créditos: Marina Pessoa | Embrapa Milho e Sorgo)
(Créditos: Marina Pessoa | Embrapa Milho e Sorgo)

Em seguida, ocorre a fase em que o inseto causa os maiores danos às plantações. Isso porque, ao eclodirem, as pequenas lagartas começam a se alimentar das folhas.

Na prática, elas passam por vários estágios de crescimento, conhecidos como ínstares, trocando de pele (ecdise) a cada estágio. A lagarta se alimenta vorazmente, perfurando as folhas e se abrigando no cartucho das plantas. A duração desta fase varia, mas geralmente dura de 14 a 30 dias.

3. Pupa

Pupa de lagarta-do-cartucho no solo (A) e no cartucho (B) (Créditos: Paulo Lanzetta | Embrapa Clima Temperado)
Pupa de lagarta-do-cartucho no solo (A) e no cartucho (B) (Créditos: Paulo Lanzetta | Embrapa Clima Temperado)

Após atingir seu tamanho máximo, a lagarta se enterra no solo ou se esconde em restos de plantas para se transformar em pupa. A pupa é uma fase de repouso e de intensa transformação interna.

Portanto, dentro dela, a lagarta se reorganiza para se tornar uma mariposa. Esta fase dura cerca de 10 a 14 dias, dependendo das condições ambientais.

4. Mariposa (adulto)

Mariposa da lagarta-do-cartucho (Créditos: Paulo Lanzetta | Embrapa Clima Temperado)
(Créditos: Paulo Lanzetta | Embrapa Clima Temperado)

Por fim, a praga evolui para fase adulta. A mariposa emerge da pupa e seu principal objetivo é a reprodução.

Os adultos têm hábitos noturnos e se alimentam do néctar de flores. Nessa fase, as fêmeas acasalam e, em poucos dias, começam a depositar seus ovos, reiniciando o ciclo. A vida da mariposa adulta é relativamente curta, durando de 7 a 20 dias.

Contudo, é importante destacar que o ciclo completo, desde o ovo até a morte da mariposa, pode variar de 30 a 60 dias, dependendo de fatores como a temperatura, a umidade e a disponibilidade de alimento.

No entanto, em condições ideais, o ciclo é mais rápido, permitindo que várias gerações se desenvolvam em uma mesma estação de cultivo, o que torna o manejo da praga um grande desafio.

Como controlar a lagarta-do-cartucho?

O controle da lagarta-do-cartucho é um desafio constante para os agricultores e exige uma abordagem integrada, combinando diferentes estratégias. Confira os principais a seguir:

1. Monitoramento da lavoura

O primeiro passo para um controle de pragas eficaz é o monitoramento constante. Para isso, os agricultores devem inspecionar a lavoura regularmente, procurando por ovos, lagartas e danos nas plantas.

Na prática, a identificação precoce da infestação permite uma intervenção mais rápida e com menor impacto econômico e ambiental.

2. Controle químico

O uso de produtos químicos como os inseticidas, que são agrotóxicos específicos para insetos, é um dos métodos de controle mais tradicionais. No entanto, sua aplicação deve ser feita com cautela e de acordo com as recomendações de um profissional especializado, como o engenheiro agrônomo ou o técnico agrícola, presentes na receita agronômica.

Além disso, a escolha do produto e o momento da aplicação são fundamentais para a eficácia do controle. A pulverização, por exemplo, deve ser direcionada para o “cartucho” da planta, onde a lagarta se abriga, para atingir o alvo.

3. Controle biológico

A estratégia do controle biológico utiliza inimigos naturais da lagarta para reduzir sua população. É uma alternativa mais sustentável e que tem ganhado cada vez mais espaço:

  • Parasitoides: microvespas do gênero Trichogramma parasitam os ovos da lagarta-do-cartucho, impedindo que eles eclodam;
  • Predadores: insetos como crisopídeos e joaninhas se alimentam das lagartas em seus estágios iniciais;
  • Fungos e vírus: agentes biológicos como o fungo Metarhizium anisopliae e o vírus Baculovirus podem infectar e matar as lagartas.

4. Controle genético

O uso de plantas geneticamente modificadas é a principal forma de controle em larga escala atualmente. As culturas Bt são plantas que recebem um gene da bactéria Bacillus thuringiensis e, como resultado, produzem uma proteína que é tóxica apenas para lagartas de certas espécies, como a lagarta-do-cartucho.

Assim, quando a lagarta se alimenta da planta, ela ingere a proteína, que causa a sua morte. As culturas Bt são amplamente utilizadas no Brasil e têm sido muito eficazes na redução dos danos causados pela praga.

Conclusão

Como vimos, a lagarta-do-cartucho é uma das pragas mais desafiadoras para os produtores rurais. No entanto, com monitoramento de pragas constante e a adoção de práticas de manejo adequadas, é possível reduzir os danos e proteger a produtividade da safra.

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Gostou desse conteúdo? Então, aproveite e leia nosso artigo sobre pragas do milho.

Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

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